quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Um casal da alta sociedade, tiveram um filho deficiente. Preocupados com que os outros iriam falar, já considerando o filho como estorvo em suas vidas, resolveram deixá-lo para seus pais criarem.
Mudaram de cidade, apagaram de suas mentes que tiveram um filho e suas vidas foram aproveitar.
Se deram bem e ficaram ricos. Ele um grande empresário e ela uma médica muito conceituada. Porém, para eles o filho nunca tiveram.
Quando vinham visitar seus pais, tratavam o filho com indiferença. Por muitos anos foi deste jeito.
Depois, acharam que sua riqueza era o suficiente para eles e se isolaram do mundo, sem procurar seus pais e seus parentes, sem saberem notícias de ninguém.
Um dia, houve um congresso de medicina, onde o médico viria palestrar sobre cirurgias melindrosas em coração. Como a mulher era uma médica especializada em cardiologia, foi designada a assistir a tal palestra e aprofundar mais seus conhecimentos. Ao chegar no salão de palestras, tinha um lindo coquetel e muita fartura. O palestrante era um rapaz de uns trinta e cinco anos que estava sentado, esclarecendo dúvidas e perguntas que a ele vinham da plateia.
Junto com ele, tinha um menino mais novo de, aproximadamente, dezesseis anos. Caminhava com dificuldade, pois nele existia uma deficiência.
A palestra foi tão interessante que todos em pé bateram palmas e parabenizaram o tal médico professor.
Uma mulher da plateia, ao término do evento, aproximou-se do homem e o elogiou pelos seus conhecimentos. Perguntou quem era aquele rapaz que estava o auxiliando.
O médico falou:
- Este é meu filho.
Ela respondeu:
- Reparei que ele tem uma deficiência física e mesmo assim não o impede de lhe auxiliar.
- Falastes bem, a deficiência dele é física, não metal. Mesmo que fosse mental e me surgisse a oportunidade para trazê-lo comigo, aqui ele estaria. Não quero que ele sofra a mesma recriminação que meus queridos pais tiveram comigo, pois acharam que a minha deficiência poderia atrapalhar as suas vidas e impedir seu sucesso. Eu não quero que meu filho se sinta assim, rejeitado.
O médico levantou-se de sua mesa onde estava.
A mulher, surpreendida, constatou também uma deficiência nele e perguntou:
- Qual o seu nome?
Ele disse seu nome. A mulher, com os olhos cheios de lágrimas, falou:
- Desculpa, mas posso lhe chamar de filho?
Ele respondeu:

- Mãe, os pais não escolhem os filhos e os filhos não escolhem os pais. Eu sempre lhe amei, apesar da distância.

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