Antes de deitar e levantar, todos os dias, um homem
curvava-se e fazia as suas orações para que tivesse um sono e um dia perfeitos.
Um dia, seu filho indagou-lhe porque fazia isso todos os dias e, praticamente,
obrigava-o a fazer também. O pai explicou ao filho que este costume passava de
gerações a gerações e que o pai dele o ensinou a rezar para louvar a Deus e que
seu sono fosse zelado pelos anjos bons. O filho, no mesmo rito do pai,
continuou a fazer o mesmo.
Os anos passaram e o filho constituiu uma família e
também a eles ensinou o que o pai tinha ensinado. Um dos filhos questionou-o da
mesma forma que ele questionara seu pai no passado, querendo saber o porquê
daquele rito e a mesma resposta que ele tinha obtido de seu pai, respondeu ao
filho. O filho ignorou, retrucou e disse:
- Não existem anjos para ouvir nossas preces, isso são
crenças feitas pelo homem.
Um dia, o filho ao chegar tarde em casa, viu seu pai
ajoelhado a orar e ficou distante a lhe espiar. De repente, ele viu um flashe
de luz muito forte, que envolvia seu pai e vários espíritos de luz em sua
volta. Desatinado, sem saber o que falar, adentrou ao quarto onde seu pai
estava e da mesma forma ajoelhou-se pedindo perdão ao pai e suplicando perdão
aos anjos que ali estavam. Fizera um juramento que jamais ousaria criticar ou
levantar suspeitas das forças espirituais. Perguntou ainda ao pai o que ele
poderia fazer para suprir sua falta de fé. O pai, humildemente, olhou para o
filho e disse:
- Meu filho, não existe falta de fé. Existe uma fé
adormecida dentro de cada um de nós. É muito simples, deixe que sua fé aflore e
passe para seus filhos o mesmo ensinamento para que o mundo tenha mais paz e os
filhos de hoje, que serão os pais de amanhã, possam cultivar a fé e o amor que
Deus tem por nós.
O filho, com os olhos cheios de lágrimas, prometeu ao
pai que suas palavras seriam lembradas e passadas aos seus netos.
Mauro Lara


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