Existia
um casal de namorados que se amavam muito. Desde a infância, nos seus nove
anos, já se consideravam namorados. Os tempos foram passando e eles crescendo e
cultuando aquele amor de criança.
Quando
completaram dezessete anos, os pais do rapaz mudaram-se e ele, contra vontade,
foi obrigada a ir junto. Ao sair de perto de sua amada, jurou amor eterno e que
um dia iriam se encontrar novamente. Jurou ainda que ele estaria indo para
outra cidade, mas seu coração ficaria com ela.
Os
anos passaram, perderam contato um com o outro, enfim, suas vidas tomaram rumos
diferentes. Porém, sempre com o pensamento e coração direcionado um ao outro,
mesmo sem ter contato.
Um
dia, um chegou a pensar que o outro não existia mais, pois não tinham notícia
nenhuma um do outro.
Aos
vinte e oito anos, ambos casaram, cada um em sua cidade. Mas por incrível que
pareça, seu coração e sua mente estavam sempre voltados um para com o outro.
Os
anos foram passando, constituíram uma família e com seus oitenta anos, ambos
ficaram viúvos. Então, com seus pais já falecidos, seus filhos muito
atarefados, decidiram colocar o rapaz, que agora já é senhor, numa casa de
repouso, em sua cidade de origem. Já a moça, que se tornara senhora, da mesma
forma, lá já estava.
Ao
se encontrarem, na casa de repouso, os dois velhinhos, começaram a conversar e
um descobriu do outro que eram os apaixonados da infância. Emocionados,
abraçaram-se e mais uma vez reativou a chama do amor.
Ele
ajoelhou-se na frente dela e com sua voz tremula, já cansado e abatido com o
peso da idade, pediu-a em casamento, pois não iria perder o tempo que os anos
tinham levado. Ela, sem objeção, ergueu ele pela mão, abraçou-lhe com emoção e
ali mesmo um beijo selou a união.
Meus
amigos, amor sincero, nos dias de hoje, não se vê não. A matéria é v
elha, mas o
espírito não. Viveram juntos o resto daquela vida e morreram os dois deitadinhos,
entrelaçados pela mão. Isso significa que o amor não tem idade, quando se ama
de paixão.
Mauro Lara

Nenhum comentário:
Postar um comentário