Há muitos e muitos anos atrás, num
vilarejo bem distante, existia um homem chamado Pedro, que era intitulado
naquela região como um curandeiro. De vários lugares, vinham pessoas para
consultar com ele. Saiam maravilhados com a simplicidade e abismados com as
curas conquistadas. Os comentários sobre a cura de tal homem foi estendendo-se
de cidade em cidade.
Um dia, um famoso médico reuniu outros
vários médicos, não concordando com as curas deste homem e foram fazer-lhe uma
visita. Chegando lá, depararam-se com uma situação precária de sobrevivência.
Tudo muito pobre. Questionaram ele sobre como ele fazia tal atendimento, sendo
que nem estudo e condições de trabalho ele tinha. O homem, humildemente, aos
médicos respondeu:
- Não preciso de luxúria. Preciso,
simplesmente, de fé e conscientizar as pessoas que Deus opera milagres baseado
em sua fé.
Os médicos, inconformados com tamanha
imensidão que tinha para aquele homem atender, se revoltaram e foram até as
autoridades competentes pedir para que o homem não mais atendesse. Pela lei do
homem, assim foi feito e o homem não pode mais atender ninguém. Os três médicos
que lá foram junto com o juiz, julgavam-se vitoriosos, pois conseguiram
interromper o trabalho daquele pobre homem.
Um ano se passou e o homem não pode mais
atender a ninguém, mas estava sempre fiel em suas orações e movido à compaixão
àqueles que necessitavam. Continuou sempre confiante na justiça de Deus.
Os três médicos e o juiz vieram a adoecer.
Procuraram inúmeras vezes recursos na medicina tradicional, sem nenhuma
demonstração de cura. Conversaram entre eles e chegaram à conclusão que poderia
aquele homem ter rogado praga à eles. Resolveram, então, procurá-lo para
esclarecimentos. O senhor recebeu-os de braços abertos e começou a conversar
com os homens. Os homens, com muita humildade, pediram para que o velho sábio
os ajudasse e atendesse eles espiritualmente. E ele aos homens respondeu:
- Infelizmente, não posso. Há um ano atrás
fui proibido de exercer meu dom. Fui julgado e condenado como charlatão.
Infelizmente, sou pobre, humilde e tenho que me submeter a tal lei do homem.
Eles ficaram surpreendidos e conversaram
entre eles sobre a possibilidade do homem ter conhecido eles. De fato, ele não
havia conhecido, pois o senhor sábio tinha perdido a visão e jamais imaginaria
que quem os condenou iria lhe procurar. Entre tantas conversas, o bom velhinho
disse a eles:
- A maior doença que existe em vocês não é
praga, nem é física, também não é espiritual e sim, mental. Vocês se julgaram
sábios e, na realidade, a maior sabedoria não é no que fazem e sim, a humildade
e a crença. Deus não escolhe a quem vão as doenças, não se dá ao luxo de lançar
maldade. Deus ensina o homem a pensar como lhe libertar de tais.
Os homens refletiram muito sobre o que o
velho falou, ajoelharam-se na frente dele e pediram para que o velho
simplesmente lhe perdoasse. E ele respondeu:
- Não é o meu perdão que vocês têm que
pedir e sim, o perdão divino.
Dali em diante, tornaram-se discípulos
dele e procuraram as autoridades para que legalizassem seu trabalho espiritual.
Meus amigos, muitas vezes, a verdade não
está nas palavras, está em atos e em pensamentos e, principalmente, na fé de cada
um.
Mauro Lara