Um homem saiu a caminhar sem destino
traçado, simplesmente, por lazer. Quando estava passando numa rua movimentada,
deparou-se com um pacote. Achou bonito e juntou.
Terminando a sua caminhada, chegando
em sua casa, foi ver o que havia dentro daquele pacote. Assustou-se, pois ali
havia uma quantia bem considerável em dinheiro. Pensou em várias formas de
achar o dono, mas também sabia que dinheiro não tem marca e qualquer pessoa
poderia se identificar como dono. Resolveu guardar e pensar no que fazer.
Naquele mesmo dia, numa rede de
comunicação local, um senhor estava perguntando se alguém teria encontrado esta
quantia em dinheiro, pois o destino do mesmo era pagar a cirurgia de sua esposa.
Ele teria vendido seus bens para salvar sua amada.
O homem, então, comoveu-se com o que
havia ouvido e foi à procura do verdadeiro dono do dinheiro. Ao encontrá-lo, o
homem emocionado entregou o dinheiro ao outro e disse:
- Aqui está o seu dinheiro para que
você possa salvar a sua esposa.
O outro indagou:
- O que levou você a entregar este
dinheiro? Afinal, era uma quantia bem alta.
Ele respondeu:
- Porque vi tamanha emoção na sua voz
e o sacrifício que teve de fazer para obtê-lo.
O homem o abraçou, agradecendo ao
outro e ele seguiu o seu destino. A cirurgia foi bem sucedida e sua esposa
recuperou-se.
Muitos anos se passaram e o homem que
tinha feito aquela boa ação adoeceu e ficou muito mal, a ponto de morrer se não
tivesse uma transfusão de sangue. Porém, seu sangue era muito raro.
A mulher que tinha feito a cirurgia,
com seu esposo, estavam assistindo um noticiário, onde viram o apelo daquele
senhor que estava necessitando de uma transfusão de sangue raríssima. Por
felicidade dele, era o mesmo sangue dela.
O casal, sem se questionar, olhou um
ao outro e, imediatamente, foram ao encontro daquele senhor.
Ao chegarem lá, contribuíram o favor
que tinham recebido há anos atrás e realizaram a doação de sangue.
O homem feliz, olhou para a sua
doadora e disse:
- Obrigada pelo teu gesto, pois você
me deu a oportunidade de viver mais um pouco.
A mulher olhou para ele e falou:
- É dando que se recebe. Não tenho
dinheiro, mas a minha consciência fala mais alto. Afinal, o teu gesto de
bondade me salvara um dia e aqui estou eu retribuindo.
MAURO LARA


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