Um casal muito bem estruturado
financeiramente, tinha dois filhos: João Pedro e Ana Maria. Ambos com vinte e uns
anos. Tinham todo o conforto que os pais poderiam oferecer.
João Pedro era a pupila de seu pai por ser
o filho homem. Por este motivo, seu pai sempre foi muito rígido em sua
educação. Um certo dia, estavam conversando entre pai e filho e o rapaz
prometeu a seu pai cuidá-lo até o último suspiro de sua vida. Então,
simbolicamente, o filho apertou a mão do pai e fez a tal promessa de cuidá-lo.
Cinco dias após a promessa do rapaz, ele
veio a falecer. O pai desesperou-se, entrou em depressão, mas não tinha mais o
que fazer e foi obrigado a enfrentar a realidade da triste separação. O pai,
desesperado, falava a todos da promessa que seu filho tinha feito e,
infelizmente, não pôde cumpri-la.
Uma semana após o seu falecimento,
descobrira que sua filha estava grávida e que seria uma mãe solteira. Mais um
desespero para aquele pai, que sem pensar repudiou sua filha. A mãe,
calmamente, conversava com o seu esposo que, com muito custo, deixara sua filha
permanecer em casa, embora não dirigisse a palavra à ela.
Assim os anos passaram. A criança nasceu e
nunca teve uma aproximação direta com o seu avô, pois ele sempre estava calado.
O menino buscava carinho, chamava a atenção para ser notado e nada disso
adiantava. Seu vô permanecia fechado e mal falava com o seu neto.
Os anos passaram e o homem ficou muito
doente. Não podia nem levantar-se de sua cama. O menino que hoje era rapaz, já
com os seus dezoito anos, começou a cuidar de seu vô, pois tinha feito um curso
especial para cuidar de idosos. Sem muita opção, seu vô fora obrigado a aceitar
seus cuidados, pois precisava de alguém para cuidá-lo.
Um dia, o homem à beira da morte, chamou
seu neto para pedir perdão pela maneira que tratava ele até o momento e o vô
explicou que era muita tristeza em seu coração, pois seu filho não conseguira
cumprir a promessa e veio a falecer. Enquanto o vô falava, no neto começaram a
brotar asas de seus ombros e ao avô falou:
- Pai, minha promessa sempre fora
cumprida. Sempre estive ao seu lado, cumprindo o que eu lhe prometi. Pena que
você me via simplesmente com os olhos e nunca me viu com os olhos do coração.
Pedi permissão ao Grande Pai para encarnar perto de você e desta forma consegui
cumprir a promessa.
O vô/pai, chorou e pediu perdão ao rapaz e
seus olhos foram fechando. Despediu-se e naquele instante sua hora chegou,
arrependido do que fez e feliz porque seu filho encontrou.
Mauro Lara


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