Um casal queria realizar o sonho de ter um
filho, mas a mulher tinha problemas de saúde e, por isso, não engravidava.
Então, em comum acordo com o seu marido, chegara a conclusão de adotarem um
recém-nascido. Adotaram uma criança linda, afrodescendente, com olhos
amendoados e muito brilhantes.
Anos se passaram e aquela criança foi
crescendo no meio de amor e carinho pelos seus pais adotivos. Quando chegara o
tempo de ir para a escola, começaram as represarias dos colegas,
discriminando-a pela sua cor não ser igual a de seus pais.
Um certo dia, a menina já cansada de
sofrer com as observações de seus colegas, chamou seus pais para conversarem,
afim de lhe explicar como ela poderia ser filha deles, se existia uma diferença
de cor entre eles.
Seus pais, na maior naturalidade,
conversaram e esclareceram para a menina que, independentemente de qualquer
coisa, ela era a filha que eles imaginavam ter. Contaram que sua mãe biológica,
ao ganhá-la, teria falecido no parto e o seu pai, em tamanho desespero, tirou a
vida dele. A sua mãe, ainda disse:
Na verdade, nós não escolhemos você. Deus
nos escolheu para sermos seus pais. E hoje, o amor que temos por você jamais
encontrará obstáculo pela sua diferença de cor. Somos e seremos sempre seus
pais. Deus nos ensinou a igualdade, independentemente de cor ou raça. Infelizes
e mal amados, são os que falam de você.
A menina, espantada, olhou para os pais e
acrescentou:
- Pai, mãe. Nunca tive dúvidas em relação
ao amor de vocês, pois posso não ter sido gerada pelo teu ventre, mãe. Mas o
amor que vocês me dão, me completa e esclarece qualquer dúvida que possa vir a
surgir no decorrer da minha vida. Pai, não é o que faz, é o que cria. Amarei vocês
eternamente e muito obrigada por existirem na minha vida.
Mauro Lara


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