segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Finados

Desde a minha infância, cresci ouvindo falar em Dia de Mortos, ou seja, Dia de Finados, que foi escolhido pelo homem e até hoje é cultuado por nós. Paro para pensar: como nós, mortais, podemos colocar um dia específico aos mortos? Para mim, dia de mortos são todos os dias.
Pergunto a vocês, meus caros, quem esquece um ente querido por não estar neste plano? Quem de vocês festeja este dia, sendo que dizem que deveria ser um dia de tristeza? Devemos neste dia ficar relembrando a morte de um ente querido? Particularmente, eu acho muito estranho e vocês todos hão de convir que a minha tese, se não estiver correta, é mais ou menos o caminho. Penso que o dia dos mortos é qualquer dia, pois você traz dentro de seu coração e de sua mente uma lembrança viva. Então, não se baseie por uma data específica, se baseie por um sentimento que existe dentro de você. Lembre-se do que foi feito por este ente querido aqui na Terra, enquanto ele era vivo. Saiba que aonde você vai levar uma vela ou uma flor, lá não existe mais nada, somente poeira, terra e já tornaram-se adubo. Mas o Senhor mesmo disse: “do pó tu vieste e ao pó tu voltarás”. Então, por que derramarmos nossas lágrimas em um dia específico?
Vamos olhar com outros olhos e aonde nós estivermos e o dia que for, lembrar sim dos mortos, mas não glorificá-los em um dia especial. Precisamos nos preparar o ano todo para chorarmos todas as lágrimas naquela data ditada pelo homem?
Em respeito a estes desencarnados e seus entes queridos, eu digo que não deveria ter um dia dos mortos, deveríamos todos os dias termos lembranças vivas de tais. Volte um pouco ao passado, quando sucede-se a morte de um ente querido, velamos e enterramos e, em seguida, após sete dias, realizamos cultos, missas ou orações. Após isso, geralmente, o morto começa a cair em esquecimento e só lembramos dele no dia que foi dado pelo homem.
É! Muitas vezes é assim mesmo! Vamos, de hoje em diante, não esperar somente este dia para celebrarmos a morte deles e visitarmos suas tumbas. Vamos ter a consciência que o ente querido, para quem ama, jamais morre. Ele sempre estará vivo para aqueles que acreditam em ressurreição. 

Mauro Lara


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