Um
dia encontrei um homem idoso chorando. Seu choro era tão intenso que me
aproximei e o indaguei:
-
Senhor, por que choras tanto assim? O que houve?
E
ele, entre pausa de lágrimas, me respondeu:
-
Choro pela maldade que existe no mundo, pela criança órfã, pela viúva, pelo
egoísmo e pela incompreensividade do homem. Choro pela criança que é espancada,
pela esposa que é maltratada, enfim, choro por tudo isso de errado que existe
no mundo.
-
Mas meu Senhor, desde que o mundo é mundo, sempre houveram tais fatos e alguns
de nós tentamos melhorar um pouco mais, uns com sucesso e outros, não. Por que
caberia ao Senhor derramar tantas lágrimas por pessoas que nem conhece?
Infelizmente, o Senhor não é o dono do mundo para se sobrecarregar com tamanha
tristeza.
E
ele levantou os olhos, me olhou e disse:
-
Realmente, não sou mesmo o dono do mundo, mas a justificativa para a tristeza
estampada em minha face dá-se porque o mundo poderia ser bem melhor. Além
disso, estas lágrimas não são só minhas, estas lágrimas também são pelo meu
pai.
Nesse
momento, despertou-me uma curiosidade e eu o indaguei:
-
Como assim pelo seu pai? Quem é você?
-
Não sou, como dissera antes, o dono do mundo, mas sou o filho Dele.
E
eu, surpreendido com tal resposta, ajoelhei-me a seus pés e comecei a pedir
perdão pelos erros do mundo.
Ele
estendeu-me a mão, ergueu-me do chão e, com palavras de conforto, falou-me:
-
Se cada um de vocês fizesse a sua parte, o mundo não seria tão cruel. Filho,
siga o teu caminho e plante o bem sem olhar a quem, pois bem aventurado é
aquele que preocupa-se consigo e com o seu próximo. Plante a bondade para poder,
no futuro, colher harmonia e a prosperidade.
Mauro Lara


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