Um casal da alta sociedade, tiveram um
filho deficiente. Preocupados com que os outros iriam falar, já considerando o
filho como estorvo em suas vidas, resolveram deixá-lo para seus pais criarem. Mudaram
de cidade, apagaram de suas mentes que tiveram um filho e suas vidas foram
aproveitar.
Se deram bem e ficaram ricos. Ele um
grande empresário e ela uma médica muito conceituada. Porém, para eles o filho
nunca tivera. Quando vinham visitar seus pais, tratavam o filho com
indiferença. Por muitos anos foi deste jeito. Depois, acharam que sua riqueza
era o suficiente para eles e se isolaram do mundo, sem procurar seus pais e
seus parentes, sem saberem notícias de ninguém.
Um dia, houve um congresso de medicina,
onde o médico viria palestrar sobre cirurgias melindrosas em coração. Como a
mulher era uma médica especializada em cardiologia, foi designada a assistir a
tal palestra e aprofundar mais seus conhecimentos. Ao chegar no salão de
palestras, tinha um lindo coquetel e muita fartura. O palestrante era um rapaz
de uns trinta e cinco anos que estava sentado, esclarecendo dúvidas e perguntas
que a ele vinham da plateia. Junto com ele, havia um menino mais novo de,
aproximadamente, dezesseis anos. Caminhava com dificuldade, pois nele existia
uma deficiência. A palestra foi tão interessante que todos em pé bateram palmas
e parabenizaram o tal médico professor.
Uma mulher da plateia, ao término do
evento, aproximou-se do homem e o elogiou pelos seus conhecimentos. Perguntou
quem era aquele rapaz que estava o auxiliando.
O médico falou:
- É meu filho.
Ela respondeu:
- Reparei que ele tem uma deficiência
física e mesmo assim não o impede de lhe auxiliar.
- Falastes bem, a deficiência dele é
física, não metal. Mesmo que fosse mental e me surgisse a oportunidade para
trazê-lo comigo, aqui ele estaria. Não quero que ele sofra a mesma recriminação
que meus queridos pais tiveram comigo, pois acharam que a minha deficiência
poderia atrapalhar as suas vidas e impedir seu sucesso. Eu não quero que meu
filho se sinta assim, rejeitado.
O médico levantou-se da mesa onde estava. A
mulher, surpreendida, constatou também uma deficiência nele e perguntou:
- Qual o seu nome?
Ele disse seu nome. A mulher, com os olhos
cheios de lágrimas, falou:
- Desculpa, mas posso lhe chamar de filho?
Ele respondeu:
- Mãe, os pais não escolhem os filhos e os
filhos não escolhem os pais. Eu sempre lhe amei, apesar da distância.


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