Um
casal muito bem estruturado financeiramente, tinha dois filhos: João Pedro e
Ana Maria. Ambos com vinte e um anos. Tinham todo o conforto que os pais
poderiam oferecer.
João
Pedro era a pupila de seu pai por ser o filho homem. Por este motivo, seu pai sempre
foi muito rígido em sua educação. Um certo dia, estavam conversando entre pai e
filho e o rapaz prometeu a seu pai cuidá-lo até o último suspiro de sua vida.
Então, simbolicamente, o filho apertou a mão do pai e fez a tal promessa de
cuidá-lo.
Cinco
dias após a promessa do rapaz, ele veio a falecer. O pai desesperou-se, entrou
em depressão, mas não tinha mais o que fazer e foi obrigado a enfrentar a
realidade da triste separação. O pai, desesperado, falava a todos da promessa
que seu filho tinha feito e, infelizmente, não pôde cumpri-la.
Uma
semana após o seu falecimento, descobrira que sua filha estava grávida e que
seria uma mãe solteira. Mais um desespero para aquele pai, que sem pensar repudiou
sua filha. A mãe, calmamente, conversava com o seu esposo que, com muito custo,
deixara sua filha permanecer em casa, embora não dirigisse a palavra à ela.
Assim
os anos passaram. A criança nasceu e nunca teve uma aproximação direta com o
seu avô, pois ele sempre estava calado. O menino buscava carinho, chamava a
atenção para ser notado e nada disso adiantava. Seu vô permanecia fechado e mal
falava com o seu neto.
Os
anos passaram e o homem ficou muito doente. Não podia nem levantar-se de sua
cama. O menino que hoje era rapaz, já com os seus dezoito anos, começou a
cuidar de seu vô, pois tinha feito um curso especial para cuidar de idosos. Sem
muita opção, seu vô fora obrigada a aceitar seus cuidados, pois precisava de
alguém para cuidá-lo.
Um
dia, o homem à beira da morte, chamou seu neto para pedir perdão pela maneira
que tratava ele até o momento e o vô explicou que era muita tristeza em seu
coração, pois seu filho não conseguira cumprir a promessa e veio a falecer. Enquanto
o vô falava, no neto começaram a brotar asas de seus ombros e ao avô falou:
-
Pai, minha promessa sempre fora cumprida. Sempre estive ao seu lado, cumprindo
o que eu lhe prometi. Pena que você me via simplesmente com os olhos e nunca me
viu com os olhos do coração. Pedi permissão ao Grande Pai para encarnar perto
de você e desta forma consegui cumprir a promessa.
O
vô/pai, chorou e pediu perdão ao rapaz e seus olhos foram fechando. Despediu-se
e naquele instante sua hora chegou, arrependido do que fez e feliz porque seu
filho encontrou.
Mauro Lara


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