sábado, 25 de janeiro de 2020

O REENCONTRO


Um jovem casal, sem programação alguma em sua vida para assumirem tais responsabilidades, geraram um filho. Após um ano do seu nascimento, sem refletirem, deram a criança à adoção.
Os anos passaram e nem um contato tinham com o filho. De repente, estourou uma revolução, onde jovens e pessoas de idade foram convocadas para a guerra. No campo de batalha, o homem sentia muita saudade de sua esposa e carregava junto com ele a foto dela e de seu filho que, impensadamente, tinha doado. Sempre carregava esta culpa e a esperança de encontrar seu filho e pedir-lhe desculpas pelo que fez.  Seu filho já estava um homem formado, com os seus vinte e cinco anos e seu pai, com quarenta e dois e mesmo não o conhecendo mais, amava-o muito.
Um certo dia, quando os combatentes de lados opostos se enfrentaram, vários homens foram feitos de refém e seu pai fora capturado e ficara como prisioneiro. Seu filho que não o conhecia, era comandante da tropa adversária, onde encontrava-se seu pai. O filho que cumpria ordens, foi ordenado para que seus prisioneiros fossem fuzilados. Ele, como comandante, foi apresentar-se aos prisioneiros e falar que eles seriam mortos, não por vontade dele, pois seu coração era muito bondoso. Perguntara a cada um dos presos qual seriam seus últimos desejos. Todos pediram várias coisas, bem diferentes uns dos outros. Ao chegar em frente ao seu pai que ainda não o conhecia, falou que gostaria que enviasse à sua esposa a foto dela com o seu filho recém-nascido e atrás estava escrito:
“Meu filho, peço-lhe que me perdoe pelo que fiz. Te doei e, no mesmo dia, me arrependi. Tentei buscar desculpas para tal ato, mas a conclusão que eu cheguei é que não existem desculpas para dar um filho, mesmo que fosse para que ele tivesse uma vida boa, pois o que eu tinha mal dava para alimentar eu e sua mãe. Me consola poder te entregar esta foto, pois por mais distante que tu estejas, sempre estivestes em meus pensamentos e no meu coração. Mil perdões, filho amado e que Deus te proteja. Não consegui realizar o meu sonho de poder te abraçar e dizer tais palavras, mas tenho certeza que mesmo que eu estivesse no leito da morte eu me ergueria e te abraçaria, em prantos. Desculpa.”
O comandante ao ler o que estava escrito, virou a foto. Reconhecendo-se nela e também a sua mãe, disse ao pai:
- O senhor realizou seu sonho, pois te encontras à beira da morte e encontrara seu filho.
O homem, abismado, sem entender as palavras que saíram da boca do comandante, respondeu:
- Que bom se isso fosse verdade e que Deus abençoasse as tuas palavras para que eu pudesse ter a oportunidade de abraçá-lo.
O rapaz estendeu a mão àquele homem que estava ajoelhado e disse:
- Pai, erga-te do chão e me abrace, pois os teus sonhos, também são os meus.
Pai e filho abraçaram-se, lavados de lágrimas, que em vossas faces rolavam. Ali, não foi somente uma alma salva, fora a de todos os que estavam condenados a serem mortos. A felicidade brilhou e trouxe alegria, que resplandeceu entre um pai e um filho.

Mauro Lara



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