Existia um homem muito doente, mal tinha comida para alimentar a sua
família. Sua esposa e seus três filhos estavam desesperados, pois o alimento
que tinham era muito pouco para sustentá-los.
O homem, mesmo doente, fazia alguns serviços: uma capina para um
vizinho, uma roça para o outro e assim por diante. Muitas vezes, tinham só
arroz para comer, com porções contadas para cada um amenizar sua fome e mesmo
assim agradeciam o alimento.
Um dia, já tarde da noite, um homem chegou em sua casa. Ele, assustado,
correu para ver do que se tratava. O homem gritou:
- Senhor, estou perdido, cansado e com fome. Poderia dar-me pouso e algo
para comer?
Ele chamou sua esposa e acolheram o peregrino.
Seus filhos ainda pequenos, não eram acostumados com visitas e vieram,
também, receber o homem.
O homem adentrou, sentou-se, pediu-lhes um copo d´água e falou que
estava cansado e com muita fome. Então, o senhor pediu licença, chamou sua
esposa e foram à cozinha. Sua esposa, sussurrando, falou ao marido:
- Nós temos pouca comida, inclusive a comida que está pronta é para nos
alimentarmos amanhã. Como poderemos fazer para saciar a fome deste homem?
Ele respondeu:
- O que temos é pouco, mas ainda bem que temos e ele que nada tem? A
situação dele está pior do que a nossa. A nossa comida está dividida em cinco
porções, para nós e nossos filhos. Vamos dividir em seis porções e incluímos
ele. Assim o fez.
Ao entregar o alimento, o dono da casa pediu permissão para que fizesse
uma oração, agradecendo tal alimento, pois isso sempre foi feito antes das
refeições em sua casa.
O peregrino comeu, bebeu e, muito agradecido, foi dormir.
Ao amanhecer, o casal levantou cedo para conversar com o homem e
providenciar algo para comerem. Quando chegaram à cozinha, assustaram-se com o
que viram, pois existia muita fartura de alimentos. Ao lado, havia um bilhete,
escrito:
“Obrigado pelo pouso e o que fizeram por mim, pois o alimento era tão
pouco e mesmo assim dividiram comigo. Continuem fazendo suas orações de
agradecimento antes das refeições, pois todas elas, eu sempre ouvi. Não dou
riqueza, mas sacio a fome. Não dou palavras bonitas, mas ensino o que falar. O
mais importante, terão saúde o suficiente para trabalharem e o alimento para
esta família jamais faltará. Eu os abençoo.”
O casal ajoelhou-se e mais uma vez agradeceram a Deus, não só pelo
alimento, mas também, pela visita que recebera Dele.
Mauro Lara


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