Um
fazendeiro conhecido na região e muito rico, tinha a fama de ser muito bom.
Apesar da sua riqueza, ele era uma pessoa de paz e compreensiva. Ajudava a
todos, só jamais aceitou o desperdício. Esse fazendeiro tinha um compadre,
também fazendeiro, que por má administração do seu gado, foi vendendo todos,
pois não gostava muito de trabalhar. Desta forma, foi ficando pobre a cada dia
que passava, chegando ao ponto que não tinha nenhum animal para abater e comer.
Um
dia, ele resolveu ir ao compadre fazendeiro rico pedir um boi para matar para
ter carne para o seu sustento durante algum tempo. Ao chegar no tal fazendeiro,
foi muito bem recebido. O fazendeiro rico fazia jus a sua fama de ser bom e
tratava todos muito bem. Entrou, sentaram-se na frente da lareira, começaram a
conversar, mateando.
Como
ambos fumavam, o fazendeiro rico pegava um tição de brasa da lareira para
fumar. Já o outro fazendeiro, a cada cigarro que acendia era um palito de
fósforo que gastava. Então, prosearam, prosearam, até chegar no ponto que o
fazendeiro pobre queria pedir um boi para o fazendeiro rico. E ele respondeu:
-
Como assim compadre, está me pedindo um boi? Eu até poderia ofertá-lo, mas pelo
que eu vejo, você é mais rico do que eu.
O
pobre o retrucou:
-
Não, o senhor está enganado compadre.
O
rico disse:
-
Eu lhe provo. Em menos de uma hora, você fumou dez cigarros e eu cinco. A cada
cigarro que fumava era um palito de fósforo que riscava. Enquanto eu, acendi o
meu num tição de fogo. Afinal, estamos em frente à lareira. Pelo seu
desperdício, pensei que estaria mais rico do que eu, se soubesse economizar.
Mauro Lara

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