Existem pessoas que no dia de hoje, por ser numa
sexta-feira e dia 13, acreditam que é um dia de azar. Na realidade, não existe
dia de azar ou dia de sorte, pois a sorte está sempre nos rodeando, assim como
o azar. Acontecem algumas casualidades boas ou ruins num dia como este, mas
nada é por acaso, afinal, depende o ângulo de visão de cada um.
Hoje, é sexta-feira 13, porém, 13 de maio, que é dia
de um guerreiro conhecedor de mandingas e vencedor de demandas. É o dia do
nosso iluminado Preto Velho, o qual cultuamos em graças e louvores à essa nobre
e sofredor guerreiro, que nos ensina muito, com seu vasto conhecimento, nos seus
cultos religiosos.
Salve Preto Velho!
Mauro Lara
AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO
Num cantinho de um terreiro, sentado num
banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto Velho chorava. De seus olhos
molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque
contei-as… Foram sete.
Na incontida vontade de saber
aproximei-me e o interroguei:
- Fala, meu Preto Velho, diz ao teu
filho por quê externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente, respondeu:
- Estás vendo esta multidão que entra e
sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas:
A primeira, eu dei a estes
indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo
que suas mentes ofuscadas não podem conceber…
A segunda a esses eternos
duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus
próprios merecimentos negam.
A terceira, distribui aos
maus, aqueles que somente procuram a Umbanda, em busca de vingança, desejando
sempre prejudicar a um seu semelhante.
A quarta, aos frios e
calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se
dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
A quinta, chega suave, tem o
riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão
escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se
vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.
A sexta, eu dei aos fúteis
que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e
conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
A sétima, filho, notas como foi
grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos
de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos médiuns vaidosos, que só aparecem no
Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos
irmãos precisando de amparo material e espiritual.
Assim, filho meu, foi para
esses todos, que viste cair, uma a uma,
AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO-VELHO.


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