sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sexta-Feira, 13 de Maio

Existem pessoas que no dia de hoje, por ser numa sexta-feira e dia 13, acreditam que é um dia de azar. Na realidade, não existe dia de azar ou dia de sorte, pois a sorte está sempre nos rodeando, assim como o azar. Acontecem algumas casualidades boas ou ruins num dia como este, mas nada é por acaso, afinal, depende o ângulo de visão de cada um.
Hoje, é sexta-feira 13, porém, 13 de maio, que é dia de um guerreiro conhecedor de mandingas e vencedor de demandas. É o dia do nosso iluminado Preto Velho, o qual cultuamos em graças e louvores à essa nobre e sofredor guerreiro, que nos ensina muito, com seu vasto conhecimento, nos seus cultos religiosos.
Salve Preto Velho!

Mauro Lara

AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO
Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as… Foram sete.
Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei:
- Fala, meu Preto Velho, diz ao teu filho por quê externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente, respondeu:
- Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas:
A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…
A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.
A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.
A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.
A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
A sétima, filho, notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.
Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma,
AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO-VELHO.





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