Um casal tinha mais de sessenta anos de uma união
linda, que servia de exemplo para tantos. Um certo dia, o homem faleceu e a
senhora, perdendo a consciência da realidade, não tinha assimilado a morte do
marido e achava que ele estava num lugar e outro, mas nunca imaginava que ele
estivesse falecido. Ela sofria do Mal de Alzheimer e isso lhe causava os
esquecimentos.
Os filhos e parentes controlavam a situação e não
batiam nunca de frente com ela, afinal, o amor por aquela mãe era imenso.
Porém, a tristeza desta mulher era tanta que em pouco tempo ela veio a falecer
também. Parentes, sobrinhos, de acordo como podiam, foram prestar a última
homenagem.
Muitos cobravam-se por não terem ido procurá-la antes,
em vida. Mas o destino nos coloca em lados opostos. Todos passam por uma fase
de crianças, adolescentes e adultos e por desleixo ou por suas vidas muito
corridas, os anos acabam passando despercebidos. Podem observar, há pessoas que
comentam ainda, em tom de brincadeira, que só em um velório que a família se
reúne e veem pessoas que há muitos anos não viam.
Temos de ter a consciência que o amor e o luto é
guardado dentro do coração e expressado em pensamentos e em orações, mesmo
distante que estejam. Isso são fatos que não abonam e nem desabonam um amor, um
carinho, um respeito pelo ente querido que partiu. Afinal, ali está simplesmente
um corpo e o nosso divino espírito doado por Deus já se encontra num plano
espiritual mais elevado.
Lembre-se: a partida é um recomeço de uma nova vida, a
qual o Criador designou a cada um de nós.
Mauro Lara


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