Um
jovem casal, sem programação alguma em sua vida para assumirem tais
responsabilidades, geraram um filho. Após um ano do seu nascimento, sem
refletirem, deram a criança à adoção.
Os
anos passaram e nem um contato tinham com o filho. De repente, estourou uma
revolução, onde jovens e pessoas de idade foram convocadas para a guerra. No
campo de batalha, o homem sentia muita saudade de sua esposa e carregava junto
com ele a foto dela e de seu filho que, impensadamente, tinha doado. Sempre
carregava esta culpa e a esperança de encontrar seu filho e pedir-lhe desculpas
pelo que fez. Seu filho já estava um
homem formado, com os seus vinte e cinco anos e seu pai, com quarenta e dois e mesmo
não o conhecendo mais, amava-o muito.
Um
certo dia, quando os combatentes de lados opostos se enfrentaram, vários homens
foram feitos de refém e seu pai fora capturado e ficara como prisioneiro. Seu
filho que não o conhecia, era comandante da tropa adversária, onde encontrava-se
seu pai. O filho que cumpria ordens, foi ordenado para que seus prisioneiros fossem
fuzilados. Ele, como comandante, foi apresentar-se aos prisioneiros e falar que
eles seriam mortos, não por vontade dele, pois seu coração era muito bondoso. Perguntara
a cada um dos presos qual seriam seus últimos desejos. Todos pediram várias
coisas, bem diferentes uns dos outros. Ao chegar em frente ao seu pai que ainda
não o conhecia, falou que gostaria que enviasse à sua esposa a foto dela com o
seu filho recém-nascido e atrás estava escrito:
“Meu
filho, peço-lhe que me perdoe pelo que fiz. Te doei e, no mesmo dia, me
arrependi. Tentei buscar desculpas para tal ato, mas a conclusão que eu cheguei
é que não existem desculpas para dar um filho, mesmo que fosse para que ele
tivesse uma vida boa, pois o que eu tinha mal dava para alimentar eu e sua mãe.
Me consola poder te entregar esta foto, pois por mais distante que tu estejas,
sempre estivestes em meus pensamentos e no meu coração. Mil perdões, filho
amado e que Deus te proteja. Não consegui realizar o meu sonho de poder te
abraçar e dizer tais palavras, mas tenho certeza que mesmo que eu estivesse no
leito da morte eu me ergueria e te abraçaria, em prantos. Desculpa.”
O
comandante ao ler o que estava escrito, virou a foto. Reconhecendo-se nela e
também a sua mãe, disse ao pai:
-
O senhor realizou seu sonho, pois te encontras à beira da morte e encontrara
seu filho.
O
homem, abismado, sem entender as palavras que saíram da boca do comandante,
respondeu:
-
Que bom se isso fosse verdade e que Deus abençoasse as tuas palavras para que
eu pudesse ter a oportunidade de abraçá-lo.
O
rapaz estendeu a mão àquele homem que estava ajoelhado e disse:
-
Pai, erga-te do chão e me abrace, pois os teus sonhos, também são os meus.
Pai
e filho abraçaram-se, lavados de lágrimas, que em vossas faces rolavam. Ali, não
foi somente uma alma salva, fora a de todos os que estavam condenados a serem
mortos. A felicidade brilhou e trouxe alegria, que resplandeceu entre um pai e
um filho.
Mauro Lara


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