Um
homem muito rico, tinha um hobby de fazer comidas saborosas e convidava as
pessoas para irem visitá-lo e apreciarem seus dotes culinários. Um vizinho,
muito pobre, também era um dos convidados. Porém, o rico fazia de tudo para
humilhá-lo com tanta fartura. O homem simples, fazia que não entendia e levava
aquele momento com muita tranquilidade.
Os
anos passaram e, um certo dia, o rico adoeceu e aqueles que o procuravam,
julgando serem seus amigos, deixaram de frequentar a sua casa, mas um deles
nunca abandonou o amigo rico. O homem pobrezinho visitava, periodicamente, o amigo
rico, que havia se tornado pobre.
O
único amigo que permaneceu ao seu lado, enquanto ele convalescia em cima de uma
cama, sem ter força para levantar e nem ao menos para preparar as suas
refeições para comer, cuidou-o com carinho. O pobre, fazia diversos pratos, mas
na mais pura simplicidade: uma canja, um carreteirinho de charque, um arroz com
linguiça, mas era o que ele poderia oferecer naquele momento, afinal, era muito
pobre.
O
rico agora pobre falou ao amigo que nunca tinha imaginado comer tais alimentos
tão simples e achar tão saborosos. E ele respondeu:
-
Muitas vezes, o sabor da simplicidade nos mostra o outro lado da vida. E de
outra forma, também nos mostra quem são nossos amigos, na riqueza e na pobreza.
Nem sempre a beleza da vida nós encontramos nas coisas mais belas porque a
perfeição para ser real tem que ter um toque de simplicidade.
Os
amigos abraçaram-se e banhados em lágrimas o ex-rico pediu perdão por todas as
humilhações que fizera ele passar e disse que, daquele dia em diante ele
considerava-o como um fiel amigo. Ele respondeu:
-
Meu amigo, tu és bom. Porém, tu não soubestes administrar a tua vida e
conciliar com a tua bondade, pois a tua arrogância te cegou e a tua vida para
mim tem valor. Por isso, eu te perdoo por várias coisas. Uma delas, a de me oferecer
o resto da tua comida que tu darias para os teus cães para que eu comer. Mas
muitas vezes, ela saciou minha fome. Eu estou só estou te retribuindo um
pouquinho da tua bondade indireta que tivera comigo.
A
arrogância te derrubou e a humildade te salvou.
Mauro Lara


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